A grande "vantagem" do Brasil é a sua capacidade de
manter uma inovação constante na política de degeneração institucional. Em uma
mesma semana, decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal
(STF), baseadas em investigações da Polícia Federal, miraram Eduardo Cunha,
ex-presidente da Câmara dos Deputados (atualmente cassado), e Valdemar Costa
Neto, ex-deputado e presidente do PL. As ações demonstraram que, mesmo
desprovidos de mandatos eletivos e sem responderem formalmente ao eleitorado,
ambos continuam operando como predadores das verbas públicas, inseridos em um
sistema de delinquência continuada por meio de um 'arranjo decisório paralelo'.
O cenário espanta e deixa evidente que o mero afastamento
político, sem a devida reclusão, é incapaz de conter seus piores instintos. No
caso de Valdemar Costa Neto, o STF determinou o bloqueio patrimonial
avassalador de até R$ 119,2 milhões. Ele é suspeito de ter autonomia para
direcionar o destino de exatos R$ 119 milhões referentes a 21 emendas
parlamentares registradas informalmente em nome de outros deputados. Já Eduardo
Cunha, operando como uma espécie de 'agente privado' dentro do Congresso,
também teve os bens bloqueados em até R$ 6 milhões. A PF identificou que o
ex-presidente da Câmara ditava de forma oculta o destino de pelo menos outras
21 indicações de emendas, direcionando verbas da saúde para redutos em Minas
Gerais por meio do esquema fraudulento.
A degradação do poder público segue chocante e perene, irritando e desgastando o cidadão brasileiro, enquanto figuras useiras e vezeiras em golpes, fraudes e fisiologismo continuam mandando nos rumos do país. É gritante a necessidade de rever o funcionamento institucional de uma nação que não pode mais tolerar o desvio sistêmico e bilionário de recursos públicos enquanto serviços essenciais e desastrosos são prestados à população.
“Ele é uma figura muito doce” — Michel Temer, ex-presidente preso por corrupção, sobre Daniel Vorcaro, o master corruptor. Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza.
“No início do evento, fui assolapada por uma oração evangélica. Houve um chamado a Deus, e isto é inconstitucional” — Elayne Rodrigues, procuradora do MP, assolapada em um surto de ignorância, intolerância e desequilíbrio emocional.
“A chamada direita democrática desapareceu. Existe só a esquerda democrática do PT e do Lula” — Tony Bellotto, mostrando que continua mantendo uma cabeça de dinossauro.
“Encerrada nossa participação na Copa de 2026, fica a gratidão” — ministro Gilmar Mendes (STF-MT). Como todo brasileiro sabe, o Gilmar já lançou sua toga sobre a CBF, e onde ele bota a toga tudo apodrece.
“Eu perguntei: 'Prefeito, o senhor tem terreno? Caso os terrenos do Governo do Estado tenham disponibilidade, podemos usar o terreno ou desapropriar um'. Depois perguntei: 'O dinheiro, o senhor tem todo? Posso ajudar de alguma forma, com um percentual do investimento para construir esse hospital municipal? E depois com equipamentos, depois contratualizar serviços'. Então, a gente não fica jogando uma hora de uma forma e outra hora de outra" — Jerônimo Rodrigues, respondendo ao prefeito José Ronaldo, que cobrou o fim da “fila da regulação”.
“Nós precisamos acabar com essa história de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles” — Lula, cada vez mais refinado, mostrando o dedo em um evento público. Tirem as crianças da sala.
“Ele dá o dedo e consegue ser carismático. É impressionante! Não é para puxar o saco, mas é verdade” — Guga Noblat, blogueiro, puxando o saco e adjacências de Lula.
“Mulheres votam muito mal — especialmente as solteiras, já que as casadas teriam a tendência de acompanhar os votos dos maridos” — Paulo Figueiredo, neto do general Figueiredo, aquele que preferia cheiro de cavalo, explicando por que o avô gostaria do cheiro dele.
Desde o Egito Antigo, não se via uma combinação de pragas tão impactantes, a ameaçar e desgastar o cidadão brasileiro:
Violência
– O avanço e o
domínio das facções criminosas já afetam mais de 40 milhões de pessoas. O crime
organizado não apenas domina territórios, mas explora serviços essenciais (6
milhões de pessoas utilizam internet
das facções); compra postos de gasolina, farmácias e empresas de ônibus
urbanos; infiltra-se na Administração Pública em extensão ainda desconhecida,
mas alarmante.
Moradores são expulsos de suas casas e comerciantes são
obrigados a pagar pedágios. Diante desse cenário, o Governo Lula — há quase 20
anos no poder — assiste à crise, com discursos vazios, afinidade ideológica com
criminosos e ações inócuas.
Judiciário
– O país enfrenta um
Poder Judiciário fragilizado e oneroso para o Estado, simbolizado por
"penduricalhos" e privilégios, enquanto denúncias de gravidade
extrema, como a venda de sentenças, permeiam os tribunais.
Mesmo nas cortes superiores, pairam suspeitas de alinhamento
espantoso entre magistrados e interesses de grandes corporações, como o Banco
Master. A erosão do Judiciário, a autoproteção e o corporativismo geram um
impacto aniquilador, pois destroem o arcabouço moral da sociedade.
Corrupção
– O sistema opera
por meio de uma ala política fisiológica e corrupta, que quebra estatais e
desvia recursos via "emendas Pix". Trata-se de uma cleptocracia, que,
segundo investigações da Polícia Federal (PF), envolve políticos de destaque —
tanto de direita quanto de esquerda —, sob total impunidade.
Jogos
– A servidão ao
dinheiro fácil das bets era uma
tragédia anunciada. Sem controle e com toda a mídia sob sua generosa
influência, famílias inteiras estão devastadas pelo vício e pelo endividamento.
A legalização das apostas ocorreu em 2018, sancionada pelo
ex-presidente Michel Temer (MDB). Já a regulamentação, incluindo jogos de azar
virtuais e cassinos, foi sancionada pelo presidente Lula, em 2023. É um
genocídio social.
Juros
reais – A economia
patina sob o peso dos juros reais mais altos do mundo, o que já empurrou 80
milhões de brasileiros para o superendividamento. O reflexo está no recorde de
empresas que buscam a recuperação judicial, no aumento estrutural dos preços e
no crescimento tímido do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo o país na
lanterna do desenvolvimento global.
Educação
– A Educação caminha
na contramão do futuro. O Brasil segue amargando os piores resultados nas
avaliações internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos
(Pisa), enquanto o analfabetismo funcional, nas universidades, já atinge a
marca de 40%. Enquanto nos países desenvolvidos a taxa de profissionais com Ensino
Superior gira em torno de 40% a 50%, no Brasil, esse índice não passa de 18%.
Carga
tributária – Por
fim, a carga tributária atingiu patamares recordes, onerando, excessivamente,
as empresas, limitando o crescimento econômico e afugentando investimentos. Em
vez de enxugar e qualificar a máquina pública, reduzir despesas inúteis e
cortar o número excessivo de ministérios, o governo opta pelo caminho mais
fácil e danoso: o aumento sistemático dos impostos.
O diagnóstico vai além de mera crise de gestão: expõe um
colapso sistêmico! O entrelaçamento entre a falência da segurança, a corrosão
moral dos poderes, o retrocesso cognitivo e o asfixiamento produtivo revela um
Estado que abdicou de proteger o cidadão para se tornar um fim em si mesmo.
O Brasil racha sob sua tempestade perfeita: o pacto social
foi rompido, submetido ao parasitismo predador das elites dominantes, que
cobram o preço mais estraçalhador de quem trabalha.
Contaminados pela loucura bélica
do mundo e a performance vexatória da seleção, deixamos de celebrar o
aniversário do biquíni neste 5 de julho. São 80 anos de uma das mais extraordinárias invenções da
história do vestuário — a síntese perfeita da arte de produzir o máximo efeito
com o mínimo de cobertura.
A humanidade gastou milênios para
ir das peles de animais ao terno de três peças, mas poucas décadas bastaram
para revelar que a verdadeira revolução consistia em vestir menos. O manifesto
do biquíni mudou costumes, enfrentou censores, causou síncopes em moralistas e
transformou as praias no mais democrático laboratório de emancipação social —
onde a única heresia era a marca de sol torta.
Mudou também a nossa cobiça.
Antes concentrada na visão acidental de um tornozelo ela foi ao êxtase com a
exposição dos seios intrépidos desenhados no top e no eterno duelo entre a
frente e o verso da área genital. O verso foi exposto antes, provando que o
flanco traseiro sempre esteve na vanguarda.
A vocação do brasileiro para a
nudez encontrou nessa peça sua redenção. Afinal, a modelo e estilista Miriam
Etz, refugiada da Alemanha e radicada no Brasil desde 1936, anos depois botou
as manguinhas de fora — e a barriga, as pernas e quase todo o resto também. Ela
costurou um duas-peças movida por um desejo revolucionário: tomar sol no
umbigo. Depois disso, a linha do equador nunca mais foi a mesma.
Entretanto, foi em 1946 que o
engenheiro — vejam a matemática da coisa — e estilista Louis Réard lançou, em
Paris, o biquíni oficial. Apenas Micheline Bernardini, dançarina do Cassino de
Paris, teve a coragem de usá-lo em público. A criação recebeu o nome do Atol de
Bikini, onde os Estados Unidos realizavam testes nucleares. A metáfora era perfeita:
a peça também seria uma explosão social, moral e estética. Réard resumiu tudo
em uma frase memorável: "Um biquíni só é realmente um biquíni se puder
passar por dentro de uma aliança de casamento." Juntou-se, enfim, a
vontade de mostrar com a fome de ver. Quanto maior a liberdade feminina, menor
o pano que as cobria. Afinal: seu corpo, suas regras.
O Brasil deu contribuições
decisivas a essa engenharia minimalista. Primeiro com David Azulay que, na Blue
Man, em 1972, criou o biquíni de lacinho. É espantoso pensar que dois pequenos
nós são capazes de abrir um universo inteiro de fantasias. Depois, nos anos
1980, Cidinho Pereira levou o imaginário ao limite ao criar o asa-delta e o
fio-dental, transformando poucos centímetros de lycra na mais eficiente
demonstração de que, às vezes, menos é muito mais — e quase nada é o ideal.
Nunca houve, no vestuário humano,
uma peça que simbolizasse tanto a liberdade feminina. A minissaia, lançada nos
anos 1960 para libertar a libido, só encontrou terreno fértil porque as praias
já haviam libertado as pernas — e todas as áreas adjacentes. No fundo, toda
revolução começa pequena. Algumas cabem num panfleto; outras, numa barricada. A
do biquíni coube em dois palmos de tecido e, ainda assim, conseguiu
escandalizar o mundo, libertar milhões de mulheres e provar que há ocasiões em
que a História se escreve com muito menos pano do que supõe nossa vã filosofia.
Em um estado marcado pelo domínio
de facções e que figura há anos como o mais violento do Brasil, sem respostas
adequadas do poder público, a crise estrutural do sistema prisional funciona
como agravante. No Conjunto Penal de
Serrinha, uma unidade de segurança máxima, investigações revelaram que detentos
utilizavam o parlatório para coordenar o tráfico de drogas, compra de armas, extorsões e ameaças de morte
— inclusive contra policiais. O esquema contava com a conivência e a atuação
direta de advogados que funcionavam como "pombos-correio" das
organizações, resultando na prisão de cerca de dez profissionais em uma recente
operação do Ministério Público e das forças de segurança. A situação também se
repete no Presídio de Mata Escura, em Salvador.
Esse cenário de vulnerabilidade
institucional se estende pelo interior. No Conjunto Penal de Eunápolis,
denúncias apontaram o envolvimento emocional e financeiro da antiga direção com
lideranças criminosas, facilitação que culminou em uma fuga em massa. O
desdobramento das investigações revelou ramificações políticas, incluindo a
prisão preventiva do ex-deputado federal Uldurico Júnior durante a Operação
Duas Rosas. A ex-diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, fechou acordo de
delação premiada, e fez referências a um suposto “chefe”, o ex-ministro Geddel
Vieira Lima — episódios que seguem sob apuração judicial.
Recentemente, doze pessoas
denunciadas pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio do
Gaeco, foram condenadas por participação em um esquema responsável pela entrada
de materiais ilícitos no Conjunto Penal de Feira de Santana. Entre os sentenciados,
estão dez policiais penais que perderam o cargo público. Eles responderam,
conforme a participação individual, por crimes de organização criminosa,
corrupção passiva e ativa, facilitação de entrada de celulares e objetos
proibidos, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Embora a atuação do MP e da
Secretaria de Segurança Pública (SSP) mereça louvor, a repetitividade dessas
fraudes mostra que, quando descobertas, a profunda lesão à sociedade já foi
consolidada. A crise vai além da falha administrativa: representa uma ameaça
direta à segurança pública extrapenal, uma vez que as diretrizes que alimentam
a violência nas ruas continuam sendo emitidas de dentro das próprias celas.