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César Oliveira

Useiros e Vezeiros

César Oliveira - 13 de Julho de 2026 | 12h 36
Useiros e Vezeiros
Foto de Eduardo Cunha (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A grande "vantagem" do Brasil é a sua capacidade de manter uma inovação constante na política de degeneração institucional. Em uma mesma semana, decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), baseadas em investigações da Polícia Federal, miraram Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados (atualmente cassado), e Valdemar Costa Neto, ex-deputado e presidente do PL. As ações demonstraram que, mesmo desprovidos de mandatos eletivos e sem responderem formalmente ao eleitorado, ambos continuam operando como predadores das verbas públicas, inseridos em um sistema de delinquência continuada por meio de um 'arranjo decisório paralelo'.

O cenário espanta e deixa evidente que o mero afastamento político, sem a devida reclusão, é incapaz de conter seus piores instintos. No caso de Valdemar Costa Neto, o STF determinou o bloqueio patrimonial avassalador de até R$ 119,2 milhões. Ele é suspeito de ter autonomia para direcionar o destino de exatos R$ 119 milhões referentes a 21 emendas parlamentares registradas informalmente em nome de outros deputados. Já Eduardo Cunha, operando como uma espécie de 'agente privado' dentro do Congresso, também teve os bens bloqueados em até R$ 6 milhões. A PF identificou que o ex-presidente da Câmara ditava de forma oculta o destino de pelo menos outras 21 indicações de emendas, direcionando verbas da saúde para redutos em Minas Gerais por meio do esquema fraudulento.

A degradação do poder público segue chocante e perene, irritando e desgastando o cidadão brasileiro, enquanto figuras useiras e vezeiras em golpes, fraudes e fisiologismo continuam mandando nos rumos do país. É gritante a necessidade de rever o funcionamento institucional de uma nação que não pode mais tolerar o desvio sistêmico e bilionário de recursos públicos enquanto serviços essenciais e desastrosos são prestados à população.



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