O vice-prefeito de Feira de Santana, ex-deputado estadual Pablo Roberto, participou de reunião com o prefeito Zé Ronaldo e lideranças políticas, recentemente, para promover a pré-candidatura a deputado federal de Zé Chico. Ao público, ficou a impressão de que o influente secretário de Educação do Município estaria ali como um aliado na luta pela eleição do empresário. Afinal, ambos fazem parte do mesmo grupo, sob a liderança de Ronaldo.
O próprio Zé Chico agradeceu pela atenção do secretário e até animou-se, entendendo que a presença dele em um evento daquela natureza sinalizaria, de algum modo, boa vontade com o seu nome. "Pablo participou e teve uma fala muito boa. Foi enfático em mostrar que precisamos de deputado federal (alinhado à cidade)". O empresário observou que o vice-prefeito "tem compromissos com o partido dele", mas mesmo assim revelou-se animado, talvez, em conseguir ao menos um naco dos votos que o também titular da pasta de Educação deve influenciar.
No entanto, não é exatamente isto o que deve acontecer. Conversei este fim de semana também com Pablo, para tirar esta dúvida. Ele deixou claro que ali esteve, atendendo a convite do prefeito, apenas para reforçar, junto ao público, a importância de que essas lideranças "percebam o valor de votar em nomes que tenham o compromisso de colaborar com o desenvolvimento da cidade". Não significa, necessariamente, priorizar alguém com domicílio eleitoral em Feira de Santana. Esta é a senha. Ele vai apoiar aqui o seu correligionário do PSDB, deputado Adolfo Viana, que tenta a reeleição e é um dos favoritos da federação da legenda com o Cidadania.
Adolfo obteve em 2022 mais de 123 mil votos. Nascido em Salvador, seu principal reduto eleitoral é o norte do Estado. O avô dele, também chamado Adolfo Viana, foi prefeito de Casa Nova. Em Juazeiro, cidade vizinha, o deputado conseguiu mais de 17 mil votos no último pleito. Mostrando que tem bases em toda a Bahia, Itamaraju, localizado no extremo-sul, foi o segundo município onde mais conquistou eleitores, quase sete mil votos.
Filho do ex-deputado Antônio Honorato, de várias legislatura, Adolfo, o neto nasceu em Salvador. Em sua terra natal, foram cerca de 4.600 votos em 2022. Feira de Santana lhe deu 1.224. Este número no âmbito local, certamente, será turbinado em outubro, com o apoio peso-pesado do vice-prefeito. Quanto maior o desempenho do tucano aqui, pior para Zé Chico, o candidato local da mesma direita a que Adolfo é vinculado.
Para deputado estadual, Pablo confirma a sua aliança com o vereador Jurandy Carvalho. Os dois formam uma dobradinha aparentemente sólida, sobretudo depois que o vice-prefeito rompeu com seu antigo pupilo, vereador Pedro Américo. O "herdeiro" Jurandy não será, porém, exclusivo. Os também pré-candidatos à Assembleia, Colbert Filho e Tom, terão uma fatia do bolo.
O pré-candidato a deputado federal Zé Chico (União Brasil) viveu esta semana o melhor momento desta sua campanha para o pleito de outubro próximo. Ele foi apresentado, em duas reuniões, para centenas de lideranças sob o comando de Zé Ronaldo, pelo próprio, como o nome prioritário do prefeito, para a Câmara Federal. Uma fonte muito próxima do homem da Pedreira Rio Branco, bastante animada com os eventos, disse à coluna que Ronaldo "está fazendo como se a campanha fosse dele mesmo".
É fato. Desde Fernando de Fabinho, ex-prefeito de Santa Bárbara, ex-deputado estadual e ex-vice-prefeito, de quem foi forte aliado, Ronaldo não faz esforço deste tamanho para ajudar a eleger alguém a alcançar Brasília. Fabinho cumpriu três mandatos, a partir de 2003.
Ou seja: diferentemente das tentativas de 2014 e 2022, o empresário e ex-presidente do Fluminense, desta vez, conta com o prefeito de corpo e alma em seu esforço para chegar a Brasília. É "meio caminho andado", defende um outro aliado do pré-candidato, que trabalha com a meta de atingir entre 50 e 60 mil votos em Feira de Santana. A "linha de corte" para uma vaga na disputada federação União Brasil-PP é de aproximadamente 80 mil sufrágios.
Zé Chico precisaria, nesta projeção, obter entre 25 e 30 mil votos em outros municípios. Ciente do desafio, ele está percorrendo as diversas regiões da Bahia. Em 2014, quando mais chegou perto do mandato, atingiu 56 mil votos em todo o Estado, mesmo concorrendo com outros dois candidatos locais com os quais Ronaldo, então prefeito, como agora, dividia sua atenção: Colbert Filho e Irmão Lázaro.
Zé Chico não foi candidato em 2018, ano em que dedicou-se à coordenação da campanha de Ronaldo a governador - Rui Costa se reelegeu. No último pleito que disputou, em 2022, foram apenas 45 mil. "Rodei pouco", ele justifica. Não foi somente isto, de acordo com um aliado do persistente pré-candidato a deputado federal.
Segundo este seu amigo, o então prefeito Colbert Filho o teria ignorado e feito forte trabalho junto aos mais influentes de sua equipe de gestão em favor da candidatura de Léo Prates. Algo que muda radicalmente em 2026, com o atual prefeito determinado a apoiá-lo.
Ronaldistas observam que é estratégico este movimento do prefeito, em torno da candidatura de Zé Chico. Todo este empenho teria a ver com 2028, ano de eleição municipal. O chefe do Executivo necessita de um representante dele na Câmara Federal, alguém de sua total confiança, para ajudá-lo em questões burocráticas que afligem as prefeituras em Brasília, bem como na articulação de emendas orçamentárias, fundamentais na realização de obras.
Nesta eleição, podemos ter um cenário parecido com o de duas décadas atrás, quando havia uma disputa saudável, entre o carlismo e a esquerda, em Feira de Santana, para ver qual candidato a deputado federal, dos dois grupos, era mais votado. Com Ronaldo focado em Zé Chico, este poderá rivalizar, voto a voto, com o petista Zé Neto.
Superar ou ao menos encostar no concorrente pode impactar positivamente para Ronaldo e seu grupo na peleja seguinte e não menos importante, a que valerá o controle do Palácio Maria Quitéria.
Um dos órgãos da Prefeitura de maior relevância para a comunidade, o Procon realizou uma fiscalização importante, esta semana, no setor farmacêutico, ramo comercial em extraordinária expansão no município. A equipe comandada pelo superintendente Maurício Carvalho atacou uma ação irregular por parte das empresas, tendo como alvo, nós, consumidores: a solicitação, sob pretexto de oferecimento de desconto, do CPF do cliente.
Conforme o Procon, vincular a concessão de descontos no preço à informação de dados pessoais configura "venda casada, uma conduta abusiva expressamente proibida pelo Artigo 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor (CDC)". Segundo o órgão, a permissão seria legítima apenas no caso de abertura de cadastro ou registro de dados de consumo, conforme a recém-promulgada Lei Estadual de número 15.179/26.
O que diz o superintendente do Procon: "O consumidor não pode ser penalizado financeiramente ou obrigado a abrir mão da privacidade de seus dados para obter um preço justo. Nenhuma farmácia pode exigir o CPF do cidadão sob o argumento de que só assim ele terá direito a um desconto promocional. A legislação é muito clara: o fornecimento de dados não pode ser uma moeda de troca forçada. O estabelecimento comercial até pode solicitar o cadastro para traçar o perfil do cliente, desde que isso seja feito de forma transparente, com o consentimento livre e respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados".
Notificadas, as farmácias deverão fixar, em locais de fácil leitura, cartaz informando que “fica proibido exigir do consumidor o seu CPF no ato da compra que condiciona a concessão de determinadas promoções”. Quem não cumprir a medida estará sujeito a multas e outras penalidades previstas em lei.
Também esta semana, o Procon notificou duas agências bancárias feirenses. Santander, na avenida Getúlio Vargas e Bradesco, na rua conselheiro Franco, ambas no Centro, sofreram "autos de constatação" por descumprimento da Lei Municipal que determina tempo de espera para atendimento, fixado em 15 minutos para o caixa e 25 nos demais setores. Os processos serão encaminhados ao departamento jurídico "para as respectivas decisões condenatórias".
O Procon cumpre o dever. Consumidor sofre, em Feira de Santana, os mais diversos abusos, em vários segmentos, no comércio ou prestação de serviços. É preciso um trabalho de campo ainda mais presente e atento.
Envolvido em um acidente automobilístico com vítima fatal, em que acabou preso, o ex-vereador Paulão do Caldeirão está dando sinais de que a sua carreira política não está encerrada, diferentemente do que se cogitou após a tragédia. O veículo que ele dirigia atingiu a motocicleta conduzida por Marlon da Silva Sena, 23 anos, na avenida Eduardo Froes da Mota, na noite de 5 de outubro do ano passado. O jovem morreu no local e seu acompanhante sobreviveu.
A situação de Paulão complicou-se principalmente diante de informações passadas por policiais de que o ex-vereador apresentava "sinais de embriaguez" e também teria fugido do local, sendo perseguido e alcançado por militares. Preso em flagrante, passou meses no Conjunto Penal de Feira de Santana, até que em dezembro de 2025 o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a soltura do ex-vereador, concedendo-lhe liberdade parcial, sob medidas cautelares. Ele nega que estivesse sob álcool e sua defesa sustenta sua inocência no ocorrido. O caso continua na Justiça, que ainda não se pronunciou em definitivo.
Nos últimos dias, a imprensa especulou o retorno de Paulão à Câmara. Ele é primeiro suplente do PP, legenda do vereador Pastor Valdemir, que está sendo cotado para assumir a Secretaria Municipal de Agricultura. Informação do blog O Protagonista: "Valdemir confirmou que a hipótese de integrar o governo municipal chegou a ser discutida há alguns meses. Segundo ele, as conversas ocorreram meses atrás, mas não evoluíram para uma definição. De acordo com o parlamentar, apesar da existência do diálogo, não houve avanço suficiente para que ele deixasse o mandato na Câmara Municipal e assumisse uma secretaria". Onde tem mato, tem coelho.
Apenas para relembrar, Paulão, até pouco tempo um fenômeno de audiência no YouTube e com grande número de seguidores nas redes sociais, com o seu "Caldeirão", não conseguiu a reeleição nas eleições de 2024 por uma diferença de apenas 13 votos. Seu desempenho foi expressivo, com 4.613 votos. Nesta quinta, conforme divulgado pelo Rota da Informação, o radialista anunciou apoio ao pré-candidato a governador ACM Neto, conseguindo um espaço interessante na mídia. A expectativa era de que ele defenderia Jerônimo Rodrigues, com quem esteve alinhado desde o pleito de 2022, quando o petista conquistou o Palácio de Ondina.
O então vereador, embora ronaldista, marchou com Jerônimo diante de compromissos firmados com o governador da época, Rui Costa, a exemplo da pavimentação da estrada do distrito de Jaguara, seu principal reduto eleitoral. Os veículos de comunicação informam que esta mudança de candidato, por Paulão, é algo que ocorre sob a articulação do prefeito Zé Ronaldo. Confirmado o entendimento com o gestor, este fato reforça a hipótese de o suplente vir a assumir uma cadeira no Legislativo Municipal.
O pré-candidato a deputado estadual Tom, o candidato ao Senado João Roma e a mulher dele, deputada federal Roberta Roma, que busca a reeleição - todos terão o apoio de Paulão - também se mobilizaram por este acordo. Paulão justifica a mudança de candidato a governador reclamando da segurança pública e do sistema de regulação hospitalar, grandes gargalos da gestão petista. Mas este é apenas o pano de fundo. O que está em jogo mesmo é a possibilidade real de um mandato de pouco mais de dois anos na Câmara, projeto que pode, sim, ser concretizado.
No dia 29 deste mês, ele tem mais um capítulo da bem sucedida, até aqui, movimentação política de bastidores, visando dar uma guinada em sua trajetória, atingida de forma avassaladora pelo acidente com vítima fatal. Vai promover um mega-encontro na casa de shows Ária Hall, para apresentar os nomes com os quais irá marchar em outubro, ao grupo político. Pretende reunir, neste evento, ACM Neto, Zé Ronaldo, o ex-ministro e candidato ao Senado João Roma, deputada federal Roberta Roma e o pré-candidato a deputado estadual Tom. O acontecimento poder ser decisivo para o seu retorno à Casa da Cidadania, que seria estratégico, para ele, em busca da conquista de um novo mandato de quatro anos em 2028.
Quem acompanha a política em Feira de Santana e,
principalmente, o movimento pré-eleitoral de candidatos e seus apoios,
surpreendeu-se, esta semana, com o anúncio, pelo presidente do diretório
local do PT, Adriano Costa, de que irá marchar com Ivoneide Caetano, e não Zé
Neto, para a Câmara Federal.
É, de fato, difícil imaginar que o dirigente petista em
Feira, eleito para o cargo em disputa com Urânia Santa Bárbara, não esteja
alinhado com Zé Neto, indiscutivelmente, o nome mais expressivo da
legenda, na região.
Jovem e promissora liderança petista, Adriano explicou ao radialista
Nivaldo Lancaster, do Boca de Forno News,
que "nós já não caminhávamos com Zé Neto". É verdade. Ele diz que,
desde a eleição nacional anterior, em 2022, esteve com outro candidato, o
ex-prefeito de Alagoinhas, Joseildo Ramos. Mas, meu caro, à época você ainda
não havia sido alçado ao posto de presidente local do partido, sob as bênçãos
de Neto.
E quem conhece o deputado sabe que, muito provavelmente, ele
não sabia que estava ajudando a eleger um dirigente que, nessas eleições,
escolheria outro candidato para representar o seu grupo em Brasília. Dificilmente,
Neto estimularia a vitória de Adriano, nessas condições.
Buscando minimizar o quadro, o presidente diz que a decisão
de apoiar a deputada Ivoneide não representa "rompimento" com o
parlamentar feirense. Claro que não. Mas que Zé Neto não vai ficar nada satisfeito
com isto, pode apostar!
Na entrevista a Nivaldo Lancaster, Adriano revela que a
decisão foi construída ao lado de lideranças como Júlia Oliveira, "a
mulher candidata a vereadora mais votada da história do PT de Feira de Santana,
com 3.425 votos"; e Jader Dourado, integrante da Executiva Estadual do PT
e coordenador do Programa de Governo Participativo (PGP) do Governo Jerônimo
Rodrigues.
Isto quer dizer que ambos seguem o mesmo caminho, o
"não" a Zé Neto para federal. "Nosso grupo avaliou a importância
de trazer uma deputada que atuasse mais (do que Joseildo) em Feira de Santana.
Ivoneide se colocou à disposição, nós avançamos na conversa e resolvemos
apoiá-la. Saímos de Joseildo e fomos para Ivoneide". Ou seja: o deputado
feirense, de batismo e domicílio eleitoral aqui, não seria nem o primeiro
reserva do time de Adriano. Não entra em campo mesmo com a saída do
titular.
PARA SERVIR DE CONSOLO
Mas há um consolo, ou melhor, dois, para o deputado. O
primeiro é que, segundo o dirigente petista, há integrantes de seu grupo
político que continuarão votando nele para deputado federal. "Vamos ter
dobradinha de Osni Cardoso com Zé Neto, em Feira de Santana. Vamos ter pessoas
do nosso grupo que também votarão em Zé Neto".
O segundo é quando ele promete que "o alinhamento com
ele continua", com vistas a um outro projeto, o de candidato a
prefeito: "Seguimos mantendo um diálogo muito bom. Vamos continuar
contribuindo para que ele seja, se assim desejar, nosso candidato a prefeito em
2028".
PARA BONS ENTENDEDORES...
Nas entrelinhas de sua entrevista ao Boca de Forno News, o presidente do PT de Feira justificou a sua
opção: "A política é construída também a partir de afinidades
programáticas e dos grupos internos da legenda. Muitas vezes o candidato, por
mais que seja da terra, não se alinha com todas as pautas que defendemos ou não
faz parte do grupo político. No PT, nós somos organizados por grupos, e esses
grupos também fazem suas escolhas".
SOBROU TAMBÉM PARA
ROBINSON
Igualmente preterido pelo grupo de Adriano, Robinson
Almeida, candidato apoiado por Neto à reeleição na Assembleia Legislativa e
que, a exemplo do deputado federal, contribuiu para a eleição dele à direção do
PT. O seu candidato a deputado estadual será Osny Cardoso, este, representante
de Serrinha, que tenta renovar o mandato.
A relação com Osny vem de 2018, quando o ajudou a se eleger
para a AL, repetindo a dose em 2022, assumindo, inclusive, a coordenação da
campanha. Exerceu ainda o cargo de chefe de gabinete quando o deputado
foi secretário de Desenvolvimento Rural do Estado.
QUEM COM FERRO FERE...
Pedi a Neto, pelo WhatsApp, que ele comente esta decisão do
presidente do PT. Sempre muito atencioso à coluna, o atuante deputado, de
inquestionável trabalho por Feira, ainda não respondeu. Inteligente e maduro,
não deverá, publicamente, manifestar qualquer contrariedade. Internamente, no
entanto, certamente, esta é uma situação que deve deixá-lo desconfortável.
O deputado não pode reclamar muito. Ele mesmo apoia Robinson, para estadual, sendo o ex-secretário de Comunicação do Governo do Estado um político com raízes fincadas em Salvador, mesmo havendo em Feira a candidatura do bom vereador Sílvio Dias para a Assembleia.