O distrito de Jaíba ostenta uma peculiaridade: é o mais próximo da sede da Feira de Santana. É também o menor em extensão territorial: apenas 43,21 quilômetros quadrados. O distrito faz fronteira com o Aeroporto, localizado a leste do bairro Santo Antônio dos Prazeres e é cortado por uma rodovia estadual, a BA 503, que conecta a Princesa do Sertão à vizinha Coração de Maria. Ao norte, Jaíba faz fronteira com o também distrito da Matinha.
O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que precisas 4.758 pessoas residem na localidade. O número de habitantes por quilômetro quadrado está longe do padrão dos bairros da Princesa do Sertão, mas acima da média dos distritos feirenses: 110,11.
A distribuição da população entre homens e mulheres é equilibrada: elas são 2.461 (51,7%) e eles 2.297 (48,2%). O nível de alfabetização não é dos melhores: somente 81,9% das pessoas com idade superior a 15 anos sabe ler e escrever. O percentual, no conjunto do município, alcança mais de 90%. Jaíba, portanto, está bem aquém da média feirense.
Ao contrário de outros distritos feirenses, a população de Jaíba é relativamente jovem. Crianças e adolescentes até os 14 anos representam cerca de 13% dos moradores, considerando homens e mulheres. A população com idade superior a 60 anos, por sua vez, é de 5% entre os homens e 6,5% entre as mulheres.
O grupo mais numeroso, considerando ambos os sexos, está na faixa etária entre 30 e 39 anos. Na sequência, aparecem aqueles com idade variando entre 40 e 49 anos. Os dois grupos – contabilizando homens e mulheres – alcançam, aproximadamente, 15,5% dos moradores.
Jaíba conserva o padrão de habitação característico das regiões em que predomina o rural: 100% das construções são casas. Lá não existem condomínios, apartamentos, malocas ou cortiços. A média de moradores por domicílio, segundo o Censo 2022, é de exatas três pessoas.
A origem do distrito está ligada a uma fazenda que lá existia, cujo proprietário – é o que nos ensina a Internet – chamava-se Martiniano Freire. Foi dele a iniciativa de construir moradia para seus agregados, o que deu início à povoação. A igreja existente – do Senhor do Bonfim – também foi construída por iniciativa do proprietário rural, ainda no século XIX.
Neste período junino o distrito está em festa: por lá se celebra um São Pedro já tradicional. Os festejos animam a economia local, atraindo visitantes da Feira de Santana e de localidades próximas. Neste 2026, as celebrações devem prosseguir até o próximo final de semana, com shows na sexta-feira e no sábado.
Muita gente vibrou, esfuziante, quando o juiz apitou o fim da partida entre Brasil e Escócia na última quarta-feira. Não foi só porque o 3 a 0 garantiu o primeiro lugar na fase de grupos, nem apenas porque a equipe realizou a sua melhor apresentação até aqui na Copa do Mundo; também não se deveu ao fato de, na próxima fase, o adversário ser o Japão e não a Holanda, esta última teoricamente mais difícil de ser batida.
Não, nenhuma das razões explica o suficiente o êxtase de certas celebrações. No fundo, muita gente celebrou porque a partida será às 14 horas de amanhã (29) e não às 22 horas. Comemora-se a saída mais cedo do trabalho? Em parte, talvez. Mas o fato é que, no fundo, o brasileiro prefere que os jogos da Copa do Mundo sejam à tarde.
O que é que explica a predileção? É que jogo de Copa do Mundo é, na verdade, uma cerimônia, uma festa que exige uma série de decisões e ações que demandam tempo e – sobretudo – um horário adequado. Churrasco, feijoada, maniçoba, caldos e muita, muita cerveja são indispensáveis para milhões de torcedores que fazem dos jogos do Brasil no Mundial uma celebração familiar, extensível aos amigos e agregados.
A primeira Copa do Mundo fora dos horários tradicionais dos brasileiros aconteceu no Japão e na Coreia do Sul, em 2002. Em função do fuso horário, as partidas ocorriam durante a madrugada e no início da manhã. Difícil encarar churrasco e cerveja nesses horários, mas teve gente que se arriscou: “A galera do trabalho traçou uma feijoada no jogo, de manhã”, espantou-se, à época, um colega do curso de Economia da Uefs.
Naquele ano a final foi de manhã. Lembro das comemorações no Sobradinho e nas cercanias, gritos de crianças, fogos rasgando o céu de julho. Depois, restou o domingo interminável porque o jogo acabou logo às oito da manhã. Mas mais tarde os bares lotaram, as vozes ásperas dos bêbados aos poucos começaram a reverberar, as celebrações estenderam-se até a noite.
A partida contra o Japão, portanto, vai resgatar o horário corriqueiro de Copa do Mundo. Mas, caso a Seleção Brasileira se classifique, virão novamente jogos noturnos. Para alívio dos moralistas amargurados, que se escandalizam com o povo parando para acompanhar uma partida de futebol.
Há, por aí, motivos muito maiores para repreensão e amargura. Mas a turma só encasqueta com o futebol, que, por enquanto, ainda é uma alegria genuína que também chega para os mais pobres...
Quando Neymar entrou em campo parecia que a Seleção Brasileira havia marcado o quarto gol contra a Escócia. Espocar de fogos, luzes no céu limpo da Feira de Santana, urros exultantes, gritos de alegria. Demorou um pouco para os rumores cessarem e a torcida mergulhar novamente no clima da partida. Querelas políticas à parte, não se pode negar que o atleta do Santos segue como ídolo nacional, mesmo entrando pouco em campo e fazendo menos ainda.
Quem está acompanhando a Copa do Mundo e viu diversos jogos sabe que a Seleção Brasileira, coletivamente, não está no patamar de equipes como França, Espanha e Argentina, para mencionar só três das favoritas ao título. Mesmo assim, novos talentos se firmam, Vinícius Júnior se sobressai entre os maiores destaques e o futuro para o futebol brasileiro parece menos sombrio que no passado recente.
Mas, estranhamente, a torcida parece levar mais fé em Neymar que em Vinícius Júnior. Na década passada o atleta do Santos era o grande craque brasileiro, mas, na Copa do Mundo mesmo, nunca brilhou. Nesta competição, Vinícius Júnior, ainda jovem, é protagonista, candidato à artilharia, tem mais mundiais ainda pela frente e, mesmo assim, está longe da badalação dispensada ao santista. Realmente, vivemos tempos estranhos, de pitoresca nostalgia.
A Copa do Mundo e os festejos juninos dividiram espaço com as novidades da política. O 24 de junho foi fatídico para o senador pela Bahia Jaques Wagner (PT), afastado da liderança do governo no Senado pelo presidente Lula. Indiscutivelmente, esta foi a maior derrota política da trajetória do senador, que dá as cartas na política baiana há quase 20 anos. Surpreendido por uma operação da Polícia Federal, o parlamentar é investigado por suas supostas conexões com a turma do Banco Master.
O Dia de São João também foi aziago para Flávio Bolsonaro (PL), filho do “mito”, pré-candidato à presidência da República. Surpreendido por um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador pelo Rio de Janeiro passou a quinta-feira explicando-se, tentando reduzir os estragos potencialmente causados junto ao eleitorado feminino e aos evangélicos. A briga pelo butim eleitoral do patriarca é quase antropofágica entre os Bolsonaros.
Enfim, dois fatos políticos dignos de nota, faltando pouco mais de 90 dias para o brasileiro se debruçar sobre a urna eletrônica e decidir os destinos do País pelos próximos quatro anos. Nos próximos dias, o noticiário junino desaparece e as eleições ganham tração, sobretudo quando a Copa do Mundo terminar. Sempre foi assim, para desgosto dos conscientes politicamente, que reclamam da alienação do povo.
No estado, um termômetro político relevante está próximo: o 2 de Julho, quando se celebra a Independência da Bahia. Nos bastidores políticos, indaga-se se Lula – após o imbróglio envolvendo Jaques Wagner – virá mesmo à capital baiana para participar de uma série de atividades, além do desfile cívico. Os comentários fervem, a favor e contra, no clima das bolsas de apostas...
O cenário político se agitou ontem (18) com a operação da Polícia Federal em endereços do senador pela Bahia Jaques Wagner (PT) e do empresário Augusto Lima, até outro dia sócio do Banco Master. Em Brasília e na Bahia houve, inclusive, apreensão de dólares e euros. Investiga-se, também, uma transação envolvendo um apartamento no valor de R$ 2,45 milhões, em Salvador.
O episódio tem potencial de afetar as eleições majoritárias na Bahia. Candidato à reeleição, Jaques Wagner pode ser impactado pelo andamento das investigações, a depender dos seus desdobramentos. No Senado, já se cogita a substituição do senador baiano na liderança do governo. Em entrevista ontem ele negou, afirmando que Lula não falou em sua substituição.
Além do cenário na Bahia, o episódio pode reverberar nas eleições presidenciais. Nos últimos dias, o presidente Lula (PT) distanciou-se de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais justamente por conta das ligações deste último com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Caso resolva abraçar Jaques Wagner e encampar sua defesa, Lula pode perder tração junto ao eleitorado independente.
O cenário para Flávio Bolsonaro tornou-se hostil depois que gravações revelaram conversas dele com Vorcaro, pedindo milhões para a realização do filme sobre a vida do seu pai, Jair Bolsonaro, o “mito”. O petê aproveitou para associar o candidato ao escândalo do Master e colheu indiscutíveis dividendo eleitorais.
Mas e agora? Até o momento, pouca gente da situação saiu em defesa de Jaques Wagner. Algumas manifestações foram chochas e protocolares. Mas, estranhamente, por outro lado, poucos opositores aproveitaram o flanco descoberto para atacar o senador. Poderiam fustigá-lo, mas estão calados, pelo menos por enquanto.
Fica, porém, uma questão: o PT disporá da mesma desenvoltura para sair atacando os Bolsonaro com seu líder no Senado envolvido em quiproquó semelhante? Estes ataques surtirão os mesmos efeitos? E o episódio não pode manchar a campanha de Lula, que, segundo as pesquisas, não dispõe de grande vantagem? As perguntas devem ressoar nos próximos dias.
Será necessário avaliar, também, o impacto deste episódio sobre as eleições na Bahia. A operação da Polícia Federal foi ontem e não se sabe, ainda, sua repercussão junto aos eleitores. Nesta semana, particularmente, está todo mundo voltado para viagens, festejos juninos, Copa do Mundo.
Mais adiante, porém, será possível avaliar com mais clareza o episódio que pode mover as placas tectônicas da política baiana.
Sobre a superfície da Feira de Santana tudo seguia seu curso normal: as sombras da noite expeliam os últimos vestígios do crepúsculo, luzes se acendiam e a agitação diurna aos poucos cedia àquela melancolia do anoitecer. É fato que já paira, sobre a cidade, a quietude típica dos feriados prolongados. Mas imagino que as mentes estavam inquietas pelas celebrações juninas, pelas viagens, pelo ritmo frenético da Copa do Mundo, pelas alegrias e problemas do cotidiano.
Pois enquanto a vida seguia seu curso ordinário, no céu um espetáculo se desenrolava. Durante o crepúsculo, a lua crescente – estreita lâmina luminosa – aproximava-se, aos poucos, de uma estrela que reluzia com vigor. Nas bordas do horizonte, a oeste, a tarde estertorava num vermelho de jatos sanguíneos que, devagar, se diluíam.
Como sempre acontece quando o inverno se aproxima, a noite caiu abrupta e a escuridão se abateu, inexpugnável. Mas lua e estrela – na verdade, um planeta, Vênus – aproximavam-se mais e mais. Li que Mercúrio e Júpiter também estavam próximos, num alinhamento raro, mas confesso que só me ative, no limpo céu feirense, à lua com sua estreita faixa luminosa e a Vênus cintilante.
Dediquei longos minutos à apreciação do espetáculo. Sobre a superfície feirense, gente, carros, agitação e movimento. No céu, aquele silêncio solene, quase palpável, mas apenas intuído. Os astros aproximavam-se? Não imaginava o desfecho daquela dança cósmica, quase imperceptível. Nem sei porque, mas torcia para a estrela esconder-se detrás da lua.
O espetáculo parecia que se estenderia por muito tempo. Então cedi aos insistentes pedidos do gato e levei-o a um curto e breve passeio pelo corredor. Imaginava que, ao voltar, a lua e Vênus estariam me aguardando para o desfecho daquela dança celeste. Qual: traiçoeiramente, a estrela escondeu-se detrás da lua sem o meu testemunho.
Ficou só o silêncio, a estreita faixa luminosa da lua, sua face obscurecida pela sombra da terra, muitas estrelas pálidas em volta. Mas Vênus mergulhara misteriosamente detrás da lua, deixando na atmosfera uma estranha sensação de solidão...